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A lição que a crise hídrica deixou

Monte Mor

ANDRÉ ROSSIMONTE MOR | 22/03/2016-22:20:55 Atualizado em 23/03/2016-19:56:41
Divulgação
Área rural | Até ano passado, os reservatórios estavam com os níveis baixos, mas chuvas melhoraram muito a situação neste ano

A crise hídrica que afetou o Estado de São Paulo no ano passado teve impacto direto na produção rural de Monte Mor. Apesar dos prejuízos, a situação despertou uma maior conscientização nos produtores sobre a necessidade de preservar seus mananciais. É o que aponta o presidente do Sindicato Rural de Monte Mor, vice-prefeito da cidade e presidente da Faesp (Federação de Agricultura do Estado de São Paulo), Rogério Maluf (PDT).
"Monte Mor tem uma grande área rural e os produtores sentiram na pele que se não conservar, todo mundo perde. O produtor rural é também o 'produtor de água', todos os grandes rios, nascentes, saem da área rural. Não diria que 100% dos produtores se conscientizaram, mas a maioria entendeu que é preciso preservar", apontou.
Entre as principais plantações da área rural de Monte Mor, destacam-se a de batata, cana-de-açúcar, milho verde e tomate. A soja também vem ganhando relevância nos últimos anos, segundo o sindicato. A crise hídrica de 2015 prejudicou a produção das safras, o que não tem ocorrido em 2016 graças às chuvas. Na região de Campinas, de novembro a fevereiro, choveu 829,1 milímetros (mm), volume 23% maior do que o total médio esperado para o período, que é de 676,3mm, segundo o Cepagri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Aplicadas à Agricultura) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Esse foi o verão mais chuvoso desde 2009, quando foi registrado 926,3mm.
"Ano passado, nessa mesma época, tinha muita pouca água, todos os reservatórios estavam baixos. Esse ano, diferentemente, estão todos cheios. A crise (nas plantações) não chegou agora porque está chovendo bastante. Em 2015, conseguimos garantir apenas o que o produtor já tinha plantado, mas muitos não tiveram como fazer uma segunda safra", comentou.
Se a crise hídrica não tem sido um problema em 2016, o mesmo não pode ser dito da crise política e econômica do país.
"Com o dólar alto, prejudica muito, porque todos os insumos são comprados em dólar. O custo de produção subiu, a oferta de alimento aumentou e o consumidor final não está consumindo. O produtor compra em dólar, vende em real e o consumidor não consome", explicou Maluf.