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Incorporadoras de olho nos jovens

Imóveis

CLAUDETE CAMPOS REGIÃO | 14/07/2017-23:56:02 Atualizado em 14/07/2017-23:55:56
Divulgação
GAMBI | Segundo ele, mesmo com menos filhos, há mais famílias

As incorporadoras, construtoras, imobiliárias e administradoras de condomínios terão de ficar mais atentas à ascensão e aos hábitos de consumo dos jovens. É o que revelou uma pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas encomendada pelo Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo). Esse levantamento mostrou os cenários futuros para o setor a partir de questões demográficas e socioeconômicas. E a ascensão dos jovens exigirá a criação de produtos específicos para esse público.
O alerta foi feito pelo diretor e coordenador da Convenção Secovi, Luiz Fernando Gambi, a partir da pesquisa. A FGV avaliou que entre 2015 e 2025 o crescimento demográfico passará de 1,1% para 0,7% ao ano. Há tendência de queda do número de pessoas por família, em função da queda na taxa da fecundidade e da formação de famílias unipessoais ou casais sem filhos.
"Consequência: a taxa de formação das famílias (2,21% a.a.) tem sido mais que o dobro da taxa populacional (1,03% a.a.). Se há novas famílias, há demanda para habitação. Redução do número de nascimentos não implica redução da necessidade de domicílios", explicou o dirigente.
Esse novo potencial cliente do mercado tem hábitos e filosofia de vida diferentes das gerações anteriores. E isso impacta na escolha do imóvel. Uma das características da geração mais jovem é usar muito a tecnologia ao fazer compras, ler as notícias, e-mail, filmes, séries, programas de tevê, álbum de fotos, blogs, entre outros.
Segundo Gambi, o mercado de imóveis não pode ficar alheio a essa realidade dos jovens da geração Z, de zapear. "Indo contra o senso comum de cultura patrimonialista, esse jovem não quer ter um imóvel, mas sim usá-lo. O mesmo ocorre com relação ao carro: os jovens preferem usar serviços como 99 Táxis, Cabify, Uber, ou, até mesmo, de compartilhamento de automóvel, em vez de comprar um veículo", exemplificou o dirigente do Secovi.
Então, o mercado deve criar produtos e serviços que conversem com os jovens. Sugeriu, por exemplo, apartamento pequeno, de um dormitório, localizado perto de regiões onde mais se concentram empregos e eixos de transporte.
Como gostam de compartilhar, podem ser projetadas áreas comuns do condomínio com novas funcionalidades, como cozinha coletiva e salas de jantar compartilhadas, lavanderia com lava e seca e para passar roupa, espaço para ferramentas para pegar os aparelhos emprestados, entre outras inovações.
"Tudo isso faz com que o usuário do apartamento não precise ocupar seu pouco espaço com um monte de coisas que, mais tarde, lhe custará trabalho para se desfazer", afirmou Gambi. Mesmo porque esse jovem pode mudar de emprego e vai querer estar perto do novo trabalho ou até mesmo mudar de cidade ou de País.