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As apostas dos microempreendedores

Empregos

CLAUDETE CAMPOS REGIÃO | 12/08/2017-00:35:05 Atualizado em 12/08/2017-00:31:30
Arquivo | TODODIA Imagem
MARTINS | RMC tem 123 mil microempreendedores, afirma

Os setores de alimentação, estética e beleza e tecnologia da informação e comunicações são as apostas dos microempreendedores da RMC (Região Metropolitana de Campinas) para contornar a crise econômica. Esses são os principais pequenos negócios abertos na região nos últimos tempos.
Foi o que apontou levantamento feito pelo economista e diretor da Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas), Laerte Martins, a pedido do TodoDia. São consideradas microempresas aquelas que empregam de um a nove empregados.
"O segmento que está em alta é o de serviços, onde destacam-se os setores de alimentação, comunicações, turismo e viagens, hotelaria e mobilidade urbana (como Uber, Vans Escolares e similares), informou o economista da Acic. "Tem proliferado, também, o setor de manutenção e reparos em equipamentos de tecnologia virtual (celulares, notebook), informou Martins.
Nas reuniões semanais nas rodadas de negócios realizadas pela Acia (Associação Comercial e Industrial da americana), essa tendência fica evidente. O presidente da Acia, Dimas Zulian, disse que a cidade acompanha essa tendência regional. Ele aponta alguns fatores que contribuem para a concentração dos investimentos nesses segmentos.
"São os segmentos de maior giro, no caso de alimentação, estética e beleza. O mercado brasileiro de estética e beleza cresce de maneira impressionante. Chegou a crescer 20% ao ano e atualmente está em 10% ao ano", explicou Zulian.
Além disso, explica Zulian, a pessoa que perdeu o emprego e quer empreender não teria condições financeiras de abrir um empreendimento industrial, por causa dos altos investimentos exigidos. Além disso, investir no comércio envolve alto risco, porque o negócio corre o risco de não decolar, mesmo com análise sobre o melhor ponto comercial.
Já na prestação de serviços vai investir mais no seu tempo. "Reduz o risco do negócio quando investe na prestadora de serviços, porque não tem problema de estoque, capital de giro, logística. Se não der certo, o empreendedor não teve prejuízo de ordem material" explicou Zulian.
CRESCIMENTO
Atualmente também tem muitos prestadores de serviços entrando na área de coaching, segundo Zulian. E o investimento é mais pessoal e de conhecimento do que financeiro, explicou o presidente da Acia.
Ele também acredita no aumento dos negócios na área de tecnologia. Segundo Zulian, o mercado tem carência de profissionais na área de tecnologia. "Essa carência é evidente, sensível no mercado, de bons profissionais para cuidar da manutenção da rede de computadores. Hoje essa demanda é alta e a oferta não acompanha", explicou Zulian.
Até o final do ano passado, existiam cerca de 123.340 microempresas na região. Isso correspondia a 43,8% de todas as 281.236 empresas em funcionamento na RMC.
Na Acia, a proporção é semelhante. Segundo Zulian, amostragem atualizada da entidade mostra que 10% dos associados são do setor industrial , 50% do comércio varejista e 40% da área de prestação de serviços. "Essa fatia do segmento da prestação de serviços no PIB é crescente", ressaltou Zulian.
Segundo o economista da Acic, a perspectiva da expansão de microempreendedores é de 8% a 10% ao ano, nos próximos cinco anos. Segundo Martins, a RMC pode chegar a cerca de 190 mil microempreendedores em 2021, 55% acima dos 123 mil atuais.