OK
Close

Americana e sua fábrica de asa delta

Americana 142 anos

CLAUDETE CAMPOS AMERICANA | 26/08/2017-19:11:15 Atualizado em 26/08/2017-19:56:15

Americana tem uma forte ligação com a aviação. Não só por causa da presença do Aeroporto Municipal, da Escola de Pilotos e de muitos instrutores de voo. A cidade abriga uma das raras fábricas de confecção de trikes, asa delta motorizada. Além de ter praticantes desse hobby, que sobrevoam pistas autorizadas na região.
Na Avenida São Jerônimo, no Parque das Nações, está instalada há dez anos a Trikes Brasil. Da oficina saem trikers usados por praticantes desse esporte radical no Brasil e no exterior. À frente do negócio está o empresário Edson Urbano, 47, que começou a praticar o trike há 25 anos e resolveu montar o negócio por causa das dificuldades em adquirir as peças importadas que eram muito caras. Segundo ele é um trabalho bem artesanal.
Toda a fabricação é acompanhada por um engenheiro homologado pela Anac (Associação Nacional da Aviação Civil) para depois ser emitida a matrícula. Um trike leva 90 dias para ficar pronto. É um esporte para quem tem poder aquisitivo. Um equipamento custa de R$ 50 mil a R$ 170 mil. Quem pratica esse esporte são empresários, jovens, e até mesmo idosos. "É o pessoal que gosta de praticar esportes e que está em busca de aventura", diz Urbano.
Segundo Urbano, a construção de trikes faz parte da aviação experimental no Brasil e permite que qualquer cidadão com conhecimento fabrique ultraleve de pequeno porte. Mas para voar no aparelho tem que ter certificado de piloto desportivo. É obrigatório procurar um instrutor credenciado pela Anac para tirar a carteira. Precisa ter pelo menos 15 horas de voo para pilotar a aeronave. Além disso, o pouso e a decolagem devem ser feitas em pistas credenciadas.
AMOR AO VOO
Antigamente, havia uma pista na região do pós-represa, em Salto Grande, mas foi desativada por causa da ocupação urbana. Hoje, os praticantes voam em aeroportos autorizados na região. Um dos mais antigos praticantes desse esporte em Americana é o aposentado Claudio Roder, 65. Ele começou a praticar em 1989 - ou seja, há 28 anos- e voa todo final de semana. Vai até Leme para fazer os voos. E ele mesmo constrói seus aparelhos. Ele tem um trike e um ultraleve básico terrestre. Fez vários cursos de pilotagem e hoje tem 800 horas de voo. "A sensação de voar é fora de série. É demais", diz Roder.
No caso de Roder, voa a 1,5 mil pés, quase 450 metros. A autorização é para voar até sete mil pés, mas a maioria vai até 4 mil pés. É um voo visual, como define, porque se ocorrer algum problema no motor consegue planar. Roder também tem carteira de instrutor. "Quando decolo estou em outro mundo", disse.
O piloto de avião monomotor Luiz Carlos Rodrigues mantém o Aeródromo Rodrigues, em Nova Odessa, que é um condomínio residencial e um aeródromo privado. Ele é um praticante de trike. Ele disse que quem pratica esse esporte é porque sente prazer em voar. E destaca a importância da formação do piloto e do projeto da aeronave para garantir a segurança.