OK
Close

Números alarmantes

TodaGente

Texto | Claudete CamposFotos | Divulgação | 31/08/2017-23:21:54 Atualizado em 02/09/2017-17:47:23

O cigarro já foi banido dos ambientes fechados, de boa parte dos filmes de Hollywood, do horário nobre da televisão. O consumo reduziu, mas o número de fumantes no Brasil e no mundo ainda preocupa. O número de mortes causadas pelo seu consumo, que estava em 4 milhões, em 2000, saltou para mais de 7 milhões, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). No Brasil, são 130 mil óbitos anuais. De cada 100 pacientes que desenvolvem câncer, 30 são fumantes, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer). Para propagar os malefícios do tabagismo, dia 29 de agosto marcou o Dia Nacional de Luta contra o cigarro.
O consumo diário de cigarros caiu de 29% para 12% entre os homens e de 19% para 8% entre as mulheres, apontou pesquisa da revista científica The Lancet, envolvendo 195 países de 1990 a 2015. Um em cada 10 mortes no planeta são ocasionadas pelo fumo, apontou a revista.
De acordo com outro estudo da mesma publicação, o cigarro está ligado a uma em cada dez mortes no mundo. "São números bem preocupantes e vale ressaltar sempre o quão mal faz à saúde fumar. Para se ter uma ideia, somente na fumaça do cigarro são encontradas mais de quatro mil substâncias tóxicas, sendo várias delas cancerígenas", alertou o médico Marcos Samano, do Hospital Moriah.
Na última, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde e a Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), divulgou que o cigarro é responsável por 65% dos casos de câncer de bexiga em homens. Em mulheres, o índice chega a 25%. Tabagismo aumenta em três vezes o risco de desenvolvimento desse tipo de tumor, alertou.
"A maioria das pessoas associa o cigarro apenas ao câncer de pulmão, porém podemos afirmar que o tabagismo aumenta em três vezes a chance de desenvolver tumor na bexiga. É extremamente importante esse alerta, pois sabemos que o tabagismo é o principal fator de risco nesses casos (de câncer de bexiga)", afirmou em nota o urologista Leopoldo Ribeiro Filho, especialista da equipe de uro-oncologia do instituto.
PÚBLICO JOVEM
O pneumologista Luiz Antonio Bragagnolo Junior, cadastrado na plataforma Doctoralia, ressalta que existe um expressivo investimento dos fabricantes de cigarros nos jovens. E alerta que os principais riscos do tabagismo entre os jovens são o aparecimento ou piora de doenças respiratórias, como asma, bronquites e alergias, podendo comprometer a função pulmonar deles. Além disso, os jovens podem desenvolver mais facilmente a dependência do cigarro.
Seis dicas para parar de fumar
Peça ajuda a um especialista: O médico poderá ajudar a encontrar maneiras de parar de fumar de forma natural e aconselhar métodos para driblar o vício em nicotina. É essencial apoio da família e amigos.
Tenha autocontrole: Tenha determinação e seja firme. É difícil, mas valerá a pena, afinal, você se livrará de muitas doenças, além de economizar.
Pare gradualmente: Pare aos poucos e se livre das toxinas. Conte quantos cigarros você fuma por dia e vá reduzindo um por dia.
Mude a sua rotina: Evite lugares com fumantes. Se tem o hábito de fumar após um café, diminua este hábito ou outro que esteja relacionado à sua vontade de fumar.
Prepare seu físico: Cigarro causa cansaço e sedentarismo. É a hora da virada! Pratique exercícios, esportes, caminhadas, danças ou alguma atividade que goste e cuide do seu corpo.
Substitua por comida saudável: Mantenha ao seu alcance bala sem açúcar, copo de água, gengibre, suco, entre outros, para diminuir a sensação de fome, que pode ser confundida com vontade fumar.
Fonte: Marcos Samano | Médico do Hospital Moriah
Por que parar de fumar?
"É muito importante deixar de fumar para melhorar a qualidade de vida e evitar esses eventos cardiovasculares, infartos, AVCs (acidentes vasculares cerebrais) e doenças pulmonares. O cigarro realmente é um mal desnecessário e a população tem que se conscientizar disso e evitar o máximo o uso dele e aboli-lo da sociedade".
Heleson Castro, médico emergencista do Hospital Mário Gatti, em Campinas, e diretor de Saúde de Sumaré
"É um dos principais fatores de risco para câncer de pulmão, que aumenta consideravelmente, e para AVC e infarto"
Luiz Eduardo Belini Soares, neurologista
"Quem fuma, só por fumar, na minha parte, na neurologia, pode ter sete vezes mais chances de ter um derrame. O tabagismo hoje é considerado uma doença. O conselho que eu dou é: tente parar de fumar, por mais que seja difícil"
Wagner Mauad Avelar, neurologista clínico do Hospital das Clínicas da Unicamp