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Polícia e comunidade

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Dirceu Cardoso Gonçalves | Tenente da PM e dirigente da Aspomil - 14/08/2017-23:21:52 Atualizado em 14/08/2017-23:21:16

São Paulo e Rio de Janeiro, as maiores cidades brasileiras, são problemáticas na área de segurança pública, mas têm situações diferentes. No Rio, com quase uma centena de policiais militares mortos só neste ano, as polícias estaduais recebem o reforço das Forças Armadas, que para lá enviaram seus homens e equipamentos. As autoridades estaduais afirmam que, apesar de tudo, a situação está sob controle. O secretário de Segurança Pública, Roberto Sá, disse que melhor seria ter recebido aporte financeiro, mas não descarta a utilidade das tropas federais.
Critica severamente a legislação fraca e desatualizada, lembrando que o porte de um fuzil, que é arma de guerra e pode atingir o alvo em 600 metros, é punido com três anos de pena, o que leva o criminoso portador a deixar a cadeia em seis meses diante dos abrandamentos também previstos na legislação penal brasileira. Já em São Paulo, o comandante da PM, cel. Nivaldo Restivo, é categórico ao afirmar que a cidade e o Estado não necessitam da atuação de tropas federais na sua segurança pública.
O comandante reconhece a existência de dificuldades na estrutura policial paulista, parte delas decorrentes da crise geral e do encaminhamento político-ideológico da população, mas destaca que para a corporação, apesar de não ter podido dar reajuste de salários à tropa nos últimos três anos, a vida é normal, inclusive no preenchimento dos claros que vão se formando no quadro através de aposentadorias, demissões e até expulsões. A PM paulista - destacou - tem efetivo fixado em 93.799 postos, dos quais 87,3 mil estão preenchidos, e estão em andamento dois concurso para a admissão de 4,7 mil novos PMs. Também lembrou que São Paulo tem o pagamento rigorosamente em dia.
A fala do comandante - inserida na edição de domingo do "Estadão" - é um importante documento de prestação de contas da corporação.