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O deficit público

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Dirceu Cardoso Gonçalves | Tenente da PM e dirigente da Aspomil - 17/08/2017-22:50:59 Atualizado em 17/08/2017-23:41:58

Um ano depois da posse definitiva - ocorrida a 31 de agosto - o presidente Michel Temer ainda bate cabeça para definir a diretriz do seu governo. A ampliação do rombo das contas públicas, que agora tentará aprovar no Congresso, obriga o governo a tomar dinheiro emprestado do mercado, o que pode anular os esforços até agora empreendidos em favor da queda dos juros.
Também abre a possibilidade das agências de classificação de risco diminuírem as notas do País no mercado internacional, entre outros males. A impressão que sobra é de que a equipe econômica, tida até agora como o leme do governo pós-petista, perdeu o rumo e, a exemplo do que já ocorreu em outras ocasiões, não terá condições de evitar o aprofundamento da crise.
Temer tem empregado muito de seu tempo para defender o governo, sua equipe e a si próprio de imputações que chegam até à denúncia de prática criminosa no exercício do mandato. Seus homens da área econômica o empurram a insistir na reforma da previdência, mediante o discurso que é a única saída para o Brasil e sem a certeza de que o governo será capaz de conseguir sua aprovação no parlamento, especialmente no período pré-eleitoral em que começamos a viver. Diante da reprovação da população sobre o aumento dos impostos nos combustíveis, optou não elevar mais os tributos e economizar retardando o reajuste de salários do funcionalismo, o que poderá levar a manifestações, greves e agitação social.
Ao mesmo tempo em que o governo insiste em aprovar a reforma que dificultará a aposentadoria do trabalhador e não diz com clareza o que pretende fazer com os supersalários do próprio funcionalismo público, o Congresso Nacional discute o aporte de R$ 3,6 bilhões para o custeio das eleições e mudanças no formato que poderão reduzir a influência de partidos políticos e do eleitor. O quadro é contraditório e o futuro incerto.
A sucessão de acontecimento demonstra a ineficácia de se mudar o governo quando as leis, práticas e parcerias continuam as mesmas.