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Joesley e Saud são presos e delação para

Brasil e Mundo

FOLHAPRESS BRASÍLIA | 10/09/2017-23:34:53 Atualizado em 10/09/2017-23:32:39
Arquivo | TODODIA Imagem
JOESLEY | Ele e Ricardo Saud se entregaram na sede da Polícia Federal de São Paulo na tarde de ontem

Os delatores da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud ficarão presos pelo menos até a próxima sexta-feira (15). A prisão temporária de ambos foi decretada pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido do procurador-geral, Rodrigo Janot.
Fachin não acatou o pedido de prisão do ex-procurador Marcello Miller, pivô de áudio entregue pelos delatores à Procuradoria-Geral da República. A gravação traz uma conversa entre Joesley e Saud indicando a atuação de Miller para ajudar a JBS a preparar a delação quando ainda atuava na PGR.
Fachin decidiu também suspender o acordo de delação da dupla da JBS, celebrado em maio com a Procuradoria e que previa a imunidade penal de ambos. Janot solicitou essa medida para aproveitar o período de prisão e buscar provas que comprovem a atuação de Miller e outras informações omitidas.
A partir dessa apuração, vai decidir se pede a anulação da colaboração ou alterações no seu conteúdo.
A JBS tem ainda outros cinco delatores, que, por ora, têm seus acordos mantidos.
As prisões e a suspensão do acordo de Joesley e Saud dão fôlego político ao Planalto. O presidente Michel Temer foi o personagem principal da delação da JBS ao ser gravado por Joesley no Jaburu.
Rodrigo da Rocha Loures, um ex-assessor do presidente, foi flagrado pela Polícia Federal recebendo uma mala de R$ 500 mil da JBS. A Câmara barrou uma denúncia da PGR contra Temer por corrupção decorrente da delação.
Joesley e Saud se entregaram na sede da Polícia Federal em São Paulo na tarde de ontem após Fachin tornar público seu despacho. Segundo Fachin, a PF recebeu seu despacho com o pedido de prisão na noite de sexta-feira.
A crise em torno da delação da JBS começou há uma semana, quando Janot anunciou que investigaria o conteúdo do áudio, datado de 17 de março, que levantou suspeitas sobre a atuação de Miller. O episódio desgastou o procurador-geral, que ficou pressionado interna e externamente. Sob críticas, vinha defendendo o conteúdo do acordo desde maio.
Além disso, no áudio, Joesley e Saud citam Janot inúmeras vezes, descrevendo como usariam Miller para chegar ao procurador-geral e obter o benefício que queriam. Joesley, Saud e o ex-procurador prestaram depoimentos entre quinta e sexta e negaram que Miller tenha atuado no acordo. Mesmo assim, Janot argumentou que a gravação indica prática de crimes não informados pelos delatores e que eles omitiram a atuação de Miller.
EX-PROCURADOR
Miller, segundo Janot, foi usado para "manipular fatos e provas, filtrar informações e ajustar depoimentos". O ex-procurador foi da equipe da Lava Jato até o ano passado. Era considerado próximo do próprio Janot.
Em seu despacho, Fachin disse que, em relação a Joesley e Saud "são múltiplos os indícios, por eles mesmos confessados, de que integram organização voltada à prática sistemática de delitos".