OK
Close

Lula diz que Palocci é calculista e frio e nega acerto com Odebrecht

Brasil e Mundo

folhapress curitiba e belo horizonte | 13/09/2017-22:27:00 Atualizado em 13/09/2017-22:22:24
Ricardo Stuckert
LULA | Palocci diz que ele fez acerto de R$ 300 milhões

Em pouco menos de duas horas de depoimento ao juiz Sergio Moro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o ex-ministro Antonio Palocci de "calculista, frio e simulador", e negou que tenha feito qualquer tipo de acerto ilícito com a empreiteira Odebrecht.
"Se ele (Palocci) fosse um objeto, seria um simulador", afirmou.
Lula prestou seu segundo depoimento a Moro ontem, uma semana depois que seu ex-ministro da Fazenda afirmou que o petista avalizou um "pacto de sangue" com a Odebrecht, com o pagamento de R$ 300 milhões em vantagens indevidas em troca de manter o protagonismo da empreiteira no governo. O terreno ao instituto estaria incluído nesse valor.
Nesta ação, ele é acusado de se beneficiar de vantagens indevidas pagas pela empreiteira Odebrecht - incluindo a compra de um terreno que seria destinado ao Instituto Lula, e cuja negociação teria sido intermediada por Palocci. O ex-presidente disse que Palocci nem sequer era responsável por assuntos do Instituto Lula (o que caberia ao seu presidente Paulo Okamotto), e afirmou que só se encontrava com o ex-ministro, depois de sua saída do governo, "de oito em oito meses".
REUNIÃO
Durante a audiência, o Ministério Público Federal ainda apresentou uma pauta de reunião de Emílio Odebrecht, patriarca da empreiteira, com Lula, que foi entregue à investigação.
A reunião teria ocorrido no dia 30 de dezembro de 2010, nos estertores do governo Lula, no Palácio do Planalto.
No documento, o primeiro item da pauta é a "'Passagem' do histórico de parceria" -o que seria uma referência à troca de governo, de Lula para Dilma, e ao acerto ilícito feito com o intermédio de Palocci.
Na mesma agenda, ainda são listados, debaixo do título "Com ele", os itens: "Estádio Corinthians, Obras Sítio, 1ª Palestra Angola e Instituto".
O petista disse que o documento é falso e "uma mentira".
Lula ainda fez críticas à atuação da Polícia Federal e do Ministério Público e disse ver com "desconfiança" determinadas operações.
PALOCCI
O advogado de Palocci, Adriano Bretas, afirmou que "dissimulado é ele (Lula), que nega tudo o que lhe contraria e teve a pachorra de dizer que se encontrava raramente com o Palocci".
"Enquanto o Palocci mantinha o silêncio, ele era inteligente e virtuoso; depois que resolveu falar a verdade, passou a ser tido como calculista e dissimulado", afirmou o defensor, em nota.
"Essa é a lógica dele: os que o acusam mentem, os documentos são falsos, e só ele diz a verdade."
Lula deixou a sede da Justiça Federal em Curitiba pouco antes das 16h30, de carro, sem falar com a imprensa.
Na saída, cinco moradores que vestiam camisas verde e amarelas e erguiam bandeiras do Brasil gritaram "ladrão" e "bandido". "Lula ladrão, seu lugar é na prisão", cantavam.
Logo depois de sua saída, a Polícia Militar desmontou as grades que formavam o perímetro de segurança em torno da sede da Justiça. Os carros e pedestres voltaram a circular normalmente.
Manifestantes a favor da Lava Jato e que pediam a condenação de Lula se concentraram no museu Oscar Niemeyer, a cerca de dois quilômetros da sede da Justiça. Não houve registro de confrontos entre militantes.
Moro também ouviu o ex-assessor de Antonio Palocci, Branislav Kontic, na audiência de ontem.