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Só não pode faltar a salsicha

Clube Gourmet

Texto | Claudete Campos Fotos | Divulgação | 08/09/2017-23:00:44 Atualizado em 08/09/2017-23:31:52

Com ao menos 146 anos, o hot dog é um dos lanches mais famosos e consumidos do mundo. Nos Estados Unidos, é um patrimônio gastronômico e degustado em carrinhos de lanche nas esquinas de Nova York. De tão famoso, ganhou uma data para comemoração: neste 9 de setembro. Do século 19 aos dias atuais, o pão com salsicha sofreu mudanças e foi incrementado com ingredientes inusitados e típicos de cada país.
A iguaria criada na Alemanha e popularizada nas terras do Tio Sam sofreu evolução. É possível encontrar esses sanduíches de vários tamanhos, formatos e ingredientes. Só nos últimos anos o Brasil entrou na onda da modernização do hot dog.
Proprietário do Mr. Feltz Dogueria, em Americana, Michel Sacilotto Tozzo estudou o assunto por quatro anos para montar seu negócio e ajudou a traçar um panorama sobre o consumo deste lanche no Brasil e no mundo.
O hot dog chegou ao Brasil em 1926 pelas mãos de Francisco Serrador. Ele era empresário do ramo de cinema.
Michel Tozzo acredita que ele tenha conhecido o lanche em viagens que fez ao exterior. Então, trouxe para o Brasil para vender nas salas de cinema na Cinelândia, no Rio de Janeiro. O lanche começou a ganhar popularidade.
Mas foi apenas de 2012 a 2013 que surgiram as casas especializadas em hot dog em São Paulo.
Até então, o hot dog era comercializado em lanchonetes que vendiam hambúrgueres e lanches em geral. Recentemente os comerciantes passaram a investir em salsichas e pães diferentes.
Salsichas são variadas
Hoje em dia existe uma variedade imensa de salsichas. Mas o brasileiro está pouco habituado às salsichas Premium, de alta qualidade, e por isso, mais caras, por uma questão de hábito e dificuldades de acesso aos produtos, informou Michel Sacilotto. As mais populares são as marcas Sadia e Perdigão, que adotaram a salsicha de Viena.
As mais famosas são as de Frankfurt, bem tradicional na Alemanha e nos Estados Unidos e também na dogueria de Michel. Essa salsicha é feita 100% com carne. Mas já existem no Brasil embutidos feito de vitela, cordeiro e uma infinidade de sabores. E, claro, existe também o salsichão alemão. Nos Estados Unidos, o maior consumo é de salsicha 100% bovina.
Os pães
Até mesmos os pães são diferentes. Nos Estados Unidos, o mais consumido é o pão de hot dog, feito de leite, que é bem macio e um pouco gorduroso. No Brasil, também se usa bastante esse tipo. No caso do Mr. Feltz, desenvolveu uma linha em parceria com o Beppo, inclusive uma baguete. Na Alemanha e na Europa, usam muito pão francês, mais cascudo, com textura mais firme, e pão de brioche.
Preparos diferentes em cada lugar
No Brasil, o costume é colocar a salsicha no molho de tomate ou na água quente para aquecê-la. Então fica mais mole. Nos Estados Unidos, a maioria faz a salsicha na chapa, como é feito no Mr. Feltz, e em alguns lugares fritam em óleo quente, como se fosse fritar batata ou um bolinho. Em alguns lugares é feita na churrasqueira a gás. Na Europa, a salsicha é feita na chapa com óleo. Então, fica com uma textura mais firme.
No Estado de São Paulo, os consumidores têm o hábito de comer o cachorro quente com purê de batata, batata palha, milho e ervilha. No Nordeste, principalmente na Bahia, gostam de comer cachorro quente com carne moída, informou Michel Tozzo. No Rio de Janeiro, o hábito é incluir ovos de codorna e uvas passas. Em Belém, hot dog é o clássico com salsicha, mas cachorro-quente é um lanche que leva carne moída. Segundo a Perdigão, em alguns lugares do norte do País incluem tucumã e molho feito com tucupi.
Na Alemanha, a terra da salsicha, o estilo mais famoso de comer essa iguaria nem leva pão. Trata-se do currywurst, uma salsicha alemã com um molho à base de curry.
Nos Estados Unidos, cada região consome o lanche de formas diferentes. Nas ruas americanas, o tradicional é o simples, com pão, salsicha, catchup e mostarda. Os americanos usam bastante cebola caramelizada na chapa ou picadinha in natura, picles e chilli (carne moída apimentada com feijão).
Origem
Existem três versões sobre o surgimento do hot dog, informou Michel Sacilotto Tozzo. Umas delas é que o cachorro-quente foi inventado por um açougueiro alemão que fazia salsicha e resolveu colocar um pão e criou essa comida. Mas o nome do açougueiro é desconhecido.
A segunda versão é que foi criada por um imigrante alemão, Charles Feltman, que foi para os Estados e lá, em 1871, montou uma barraquinha de cachorro quente em Nova York. E se popularizou como comida de rua. Ele tinha de competir com os restaurantes e desenvolveu um lanche com preço bem acessível.
A terceira versão é que o hot dog surgiu nos Estados Unidos e que foi criado por um vendedor de salsichas de Saint Louis. Como os clientes queimavam a mão com a salsicha, o comerciante a envolveu no pão.
As melhores do Brasil e do mundo
Em setembro do ano passado a Revista Exame trouxe o ranking dos 10 cachorros-quentes mais apetitosos do Brasil. Os relacionados foram Lanchonete da Cidade, General Prime Burger, Charles Dog, em São Paulo; Rock Dog, na região metropolitana de São Paulo e O Rei do Dog, no ABC paulista; Deli 43-Pavelka e Andy's, no Rio de Janeiro; Cachorro-quente do R, em Porto Alegre; Cachorro-quente do Landi, em Brasília; e Big Mengão Lanches, de Belém.
Nos Estados Unidos, os mais renomados são do Nathans Famous. Surgida em 1916, é a maior vendedora de cachorros-quentes do mundo, com mais de 45 mil localidades. Também são famosos os dogs da Gray Papaia, em Nova Iorque, informou Michel Sacilotto.