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Inimigo da imunidade

TodaGente

Texto | Claudete Campos Foto | Divulgação | 09/09/2017-20:01:10 Atualizado em 09/09/2017-21:07:54

O dia 15 de setembro será dedicado ao Dia Mundial de Conscientização dos Linfomas. O linfoma é um tipo de câncer das cédulas do sistema linfático, que cuidam das defesas do organismo. Existem dezenas de diferentes tipos de linfomas e o onco-hematologista do CPO (Centro Paulista de Oncologia), do Grupo Oncolínicas, Jaques Tabacof, informou os sintomas que podem indicar que as pessoas estão com a doença.
O que acontece , explica, é que essas células dos gânglios linfáticos sofrem mutação e se proliferam de forma desordenada e sem controle, formando os tumores. Existem gânglios linfáticos nas regiões do pescoço, axilas, virilhas, tórax e abdômen.
Segundo o médico, na grande maioria dos casos de linfomas não existem causas específicas. Normalmente ocorrem casos isolados nas famílias. Então o fator genético não é predominante. Mas existem grupos de pacientes com maior risco de desenvolver esse tipo de câncer, como portadores do vírus HIV e pacientes que fizeram transplante de órgãos e usam medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição dos órgãos.
O principal sinal de alerta é quando aparecem gânglios - aquelas ínguas- na superfície do corpo, sem que esteja com infecção aparente. A orientação do médico é que a pessoa procure um pediatra, clínico geral ou otorrinolaringologista para fazer a avaliação clínica ao notar esse nódulos. Em caso de suspeita, terá de ser feira biópsia, retirada do tecido para análise. Segundo o médico, apenas em casos em que a doença está avançada é que o paciente pode ter febre, suor e emagrecimento.
A maioria dos casos de linfomas é curável. Os tratamentos envolvem quimioterapia, anticorpos monoclonais (proteínas usadas pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar corpos estranhos, no caso, as células tumorais) e, em alguns casos, radioterapia. Geralmente não é necessário realizar cirurgias nos pacientes com essa doença, explicou o médico. Em alguns casos são necessários transplantes de medula óssea da própria pessoa ou de doador compatível.
O 2º câncer do sangue com mais incidência
O médico oncologista Jacques Tabacof também fez um esclarecimento a respeito do mieloma múltiplo, o segundo tipo de câncer de sangue com maior incidência, atrás apenas do linfoma. Estima-se que de três a quatro casos de mieloma múltiplo sejam registrados para cada grupo de 100 mil habitantes por ano. Esse mieloma de célula plasmática também é conhecido como doença de Kahler (em referência ao famoso patologista austríaco).
O mieloma múltiplo é um câncer raro que se desenvolve na medula óssea, com proliferação anormal do glóbulo branco chamado plasmócito. Quando há reprodução anormal e exagerada dessas células plasmáticas, passam a se acumular na medula óssea ou nos ossos, formam tumores, prejudicam a produção normal de células e causam lesões nos ossos. Como na maioria dos cânceres, ainda não se sabe ao certo o mecanismo que leva ao aparecimento dessa condição.
Os principais sintomas são anemia, dores ósseas, insuficiência renal, aumento do cálcio e infecções repetidas. Os médicos devem estar atentos a essa condição, já que alguns casos podem ser assintomáticos.
As estatísticas
Estimam-se 5.210 casos novos de linfoma não Hodgkin (LNH) em homens e 5.030 em mulheres no Brasil, no ano passado, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer). Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,27 casos novos a cada 100 mil homens e 4,88 para cada 100 mil mulheres;
Segundo o mesmo instituto, a estimativa era de cerca de 390 mil casos novos (2,7% do total de câncer) e 200 mil óbitos (2,4% do total de óbitos) por LNH no mundo em 2012. Desses, cerca de 50% dos casos de incidência e 67% dos óbitos ocorrem em regiões menos desenvolvidas, refletindo assim uma sobrevida baixa da doença.