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História preservada

TodaGente

09/09/2017-20:01:17 Atualizado em 09/09/2017-21:28:18

Após um documentário, dois livros.
Fechando o trabalho de preservação da história do Rio Branco, o projeto "Rio Branco - O Embaixador de Americana" está em fase de captação de recursos, através do ProAC (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo), para a publicação de dois livros sobre a história do clube.
O projeto dá sequência ao trabalho iniciado com "Tigre de Americana - Uma Paixão Centenária", um documentário sobre o clube, também realizado através do ProAC. O filme, que tem 1h30 de duração e virou um DVD com extras, conta a história do clube através de personagens marcantes e imagens históricas.
Através do ProAC, a empresa contribuinte de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pode destinar até 3% do imposto devido para um projeto cultural previamente aprovado, sem qualquer custo adicional ou desembolso. O projeto "Rio Branco - O Embaixador de Americana" já foi aprovado pelo ProAC e tem prazo até o ano que vem para a captação de recursos.
O projeto, que conta com o apoio do TODODIA, prevê duas publicações, o Livro Histórico e o Almanaque, ambos com conteúdo inédito e frutos de cerca de 16 anos de pesquisas. Conheça nessa página dupla mais sobre o projeto.
São Vicente
A rede Supermercados São Vicente, que patrocinou através do ProAC o documentário "Tigre de Americana", já confirmou que será um dos patrocinadores do projeto dos dois livros. O São Vicente é a empresa que por mais tempo patrocinou o Rio Branco.
Como patrocinar
A empresa não gasta nada para participar do projeto. Ela só precisa ser contribuinte de ICMS, podendo destinar até 3% do imposto devido. A empresa gera um boleto em nome do projeto e já abate do valor da guia do ICMS paga mensalmente. O projeto oferece como contrapartida a visibilidade da marca em todas as ações de comunicação do projeto, com plano de mídia pré-definido. Interessados devem entrar em contato pelo telefone/whatsApp (19) 98428-1941 ou pelo e-mail cgioria@dglnet.com.br.
Livro histórico
O Livro Histórico é uma publicação ricamente ilustrada que traz curiosidades e histórias dos 104 anos de vida do clube, envolvendo principalmente o futebol, mas sem se esquecer de outras atividades esportivas e sociais que marcaram o clube como um embaixador de cidade. A história detalhada do Estádio Décio Vitta, desde a intenção da construção, passando pela inauguração e chegando aos dias atuais, merece um capítulo especial.
O documentário
O filme "Tigre de Americana", que abriu esse projeto de preservação da memória do Rio Branco, virou um DVD (outras informações na produtora 3marias, pelo telefone 3408-0300). Acesse goo.gl/rstRGe
 
 
Seleto grupo
Apenas outros quatro clubes no país têm almanaques nesses moldes, reunindo, além das fichas de todos os jogos, fichas e números de cada um dos jogadores e técnicos. São eles Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Flamengo.
 
 
 
Gestão cultural
A elaboração e a gestão cultural são de responsabilidade da 3marias Produtora Cultural, que conta com experiência de dez anos na área de formatação de projetos culturais e na produção audiovisual. A produtora assinou o roteiro e a direção do documentário "Tigre de Americana - Uma Paixão Centenária".
Almanaque
O Almanaque começa com a relação de todas as fichas técnicas de jogos do clube, desde a fundação, em 1913. Diversas partidas são acompanhadas de curiosidades e histórias. Cada década/ano é apresentada com a história do que ocorreu no período. Em seguida, a seção Quem é Quem traz a ficha de todos os jogadores e técnicos da história do clube, com um breve histórico de cada um. A publicação traz diversas listas, como a dos maiores artilheiros e de quem mais jogou, além da relação de todos os jogos da história do AEC (Americana Esporte Clube).
COMO É A FICHA DE CADA JOGO
9 de dezembro de 1990 - Divisão Especial
RIO BRANCO 3 x 2 COMERCIAL
RB: Rogério; Bira (Jorge Luís), Claudir, Edson Fumaça e Gilson; Miel, Bugre e Pianelli; Macedo, Henrique (Silva) e Adilson. Técnico: Afrânio Riul
C: Moacir; Décio, Claudinho, Nilson e Fabinho; Luís Fernando, Osvaldo (Júnior) e Zé Rubens; Petróleo (Leandro), Machado e Paulo. Técnico: Galdino Machado
Local: Décio Vitta (Americana); Juiz: Ilton José da Costa; Renda: CR$ 3.634.800; Público: 9.346; Gols: Macedo 25 e Bugre 46 do 1º; Bugre 10, Paulo 35 e Zé Rubens (pênalti) 38 do 2º; Cartão amarelo: Pianelli, Jorge Luís e Osvaldo; Cartão vermelho: Silva e Moacir
Júnior defendeu pênalti sofrido por Macedo e cobrado por Bugre aos 42 do 2º. Curiosamente, Bugre e Macedo tinham 14 gols cada na Segundona e se Bugre tivesse feito o gol, se isolaria como artilheiro do time na competição. Fim de campeonato, com o Rio Branco conquistando o vice-campeonato. Somando todas as fases, o Tigre teve a melhor campanha e o melhor ataque, mesmo jogando quatro partidas a menos que o Olímpia, campeão da Divisão Especial. O Tigre fez 42 jogos, com 25 vitórias, dez empates e sete derrotas (marcou 61 gols e sofreu 24), totalizando 60 pontos. Em 46 partidas, o Olímpia conquistou 19 vitórias, 19 empates e oito derrotas (fez 42 gols e sofreu 24), somando 57 pontos.
COMO É A FICHA DE CADA JOGADOR
MARCOS SENNA
Marcos Antonio Senna da Silva (*17/07/1976, em São Paulo-SP)
Volante e meia-direita (1997-1999)
62 JOGOS (25 VITÓRIAS, 13 EMPATES, 24 DERROTAS) 12 GOLS
Qualquer apresentação de Marcos Senna deve começar pelo fato do jogador ser o primeiro brasileiro a conquistar a Eurocopa, pela Espanha, em 2008, feito igualado em 2016 por Pepe, com a seleção portuguesa. Onze anos antes deste feito histórico, Marcos Senna era reserva do Tigre no Paulistão de 1997, onde chegou por indicação de Orzi França, mas entrava constantemente na equipe, o que se repetiu no estadual seguinte. Começou a se firmar como titular na Série C de 1998 e assumiu a posição definitivamente na temporada de 1999, sua melhor no clube. Jogador de boa finalização, começou a fazer seus golzinhos no Paulistão daquele ano e despertou o interesse do Corinthians, para onde foi negociado no mesmo ano por US$ 1,5 milhão. Campeão paulista, brasileiro e mundial, mais como reserva do que titular, teve uma passagem discreta pelo Corinthians e seguiu carreira por Juventude e São Caetano, de onde foi negociado com o Villarreal. Na Espanha sua vida mudou. Naturalizado espanhol, chegou à seleção do país pelas mãos do técnico Luis Aragonés. Disputou a Copa do Mundo de 2006 pelo país e se firmou como titular do meio-de-campo, até alcançar a maior glória de sua carreira, a Eurocopa, sendo considerado um dos melhores jogadores da competição. Após dez anos defendendo o Villarreal, foi homenageado pela diretoria, que alterou o nome do portão 19 do Estádio El Madrigal para Marcos Senna. Encerrou a carreira em 2015, no New York Cosmos (EUA), após vitória em 15 de novembro sobre o Ottawa Fury por 3 a 2 e a conquista do título da Liga Norte-Americana de Futebol (NASL, na sigla em inglês), a segunda em importância no futebol norte-americano. Seu companheiro de clube Raúl, ídolo do Real Madrid, também se aposentou após este jogo.
A história deste trabalho
Tudo começou por volta de 1999. Sim, milênio passado. O jornalista Celso Unzelte estava acabando a sua "missão impossível" para que o Corinthians tivesse o seu almanaque. Estava naquela fase de tapar buracos. Um deles, Rio Branco x Corinthians, em Americana, em 1925.
Fui até a biblioteca de Americana e encontrei o relato daquele jogo. Não um relato com todas as informações desejadas, mas um relato apaixonante. Apaixonante porque o texto era pura paixão em defesa ao Rio Branco. Outros tempos. Tão apaixonante que foi a partir desse dia que decidi fazer a mesma coisa que o Celso havia feito com o Corinthians, mas com o Rio Branco.
A tarefa seria mais simples por um lado, porque o Rio Branco jogou muito menos que o Corinthians. Mas, mais complicada por outro, porque a quantidade de fontes de informação em Americana é muito menor do que em São Paulo.
Esgotados todos os exemplares dos arquivos públicos de Americana, a jornada seguiu por jornais de outras cidades, esses pontuais para descobrir os buracos que a imprensa de Americana deixou ao longo dos tempos. Entre jornais e revistas, foram 30 títulos diferentes pesquisados.
O segundo passo foi ler ata por ata de reuniões de diretoria desde 1913. Dezenas de encadernações.
O terceiro foi buscar pessoas com ligações com o clube, ou familiares daqueles que ajudaram a erguer o Rio Branco. Famílias Pisoni, Vitta, Benencase, Dextro, Zanaga, Cibin... Calculo que entrevistei umas 150 pessoas. E de cada uma delas, além de informações, levava fotos, vídeos, áudios, documentos...
Do clube, tudo que era possível aproveitar, aproveitei. Fichas de registros internos de jogadores foram scaneadas para aproveitar as fotos e as informações básicas. Centenas de VHS com jogos inteiros e reportagens, que estavam no estádio, muitas sem identificação, foram transformadas em cerca de 400 DVDs.
Tudo isso foi parar em um computador. A pasta "Rio Branco" tem 65,2 gigas, com 40.303 arquivos entre documentos, fotos, planilhas, súmulas, áudios, vídeos e tudo mais que encontrei espalhado pela cidade e além da cidade.
Além do arquivo no computador, dois lances de armário cheios só com Rio Branco, também com jornais, revistas, documentos...
Tudo isso compilado deu origens a esses dois livros deste projeto.
Falta agora o último passo. Publicar
Claudio Gioria, jornalista, editor-chefe do TODODIA e autor dos livros