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Em peça, Soraya Ravenle faz elogio ao 'fazer nada'

Cultura e Entretenimento

FOLHAPRESSSÃO PAULO | 09/09/2017-19:39:43 Atualizado em 09/09/2017-20:08:58
Divulgação
SORAYA | Peça é feita em parceria com o dramaturgo Diogo Liberano

Soraya Ravenle começou a ler "Instabilidade Perpétua", de Juliano Garcia Pessanha, por sugestão de uma amiga. Mas logo viu que os escritos do filósofo ressoavam seus próprios questionamentos. "Eu falava: 'Como ele sabe mais de mim do que eu mesma?'. Ele me falou muito fortemente da minha história, da minha alma", lembra a atriz, que adaptou o livro ao palco, em monólogo que estreia neste fim de semana em São Paulo, após temporada no Rio no último semestre.
Em sua obra, Pessanha percorre temas sobre a existência e a sociedade. Reflete sobre como é difícil nascer hoje num mundo tão conectado e repleto de informações (e que ele chama de "hipernomeado", ou seja, com classificações em excesso).
"Ele fala muito sobre a opacidade contemporânea. A gente não tem mais espaço para não saber, para dar conta o tempo todo desse monte de relações", diz Soraya, que faz aqui o primeiro monólogo de sua carreira -além de alguns trabalhos em televisão, a atriz ficou conhecida por atuações em musicais como "Um Violinista no Telhado", com direção de Charles Möeller e Claudio Botelho.
Na adaptação que fez em parceria com o dramaturgo Diogo Liberano, a Soraya reproduz o texto de Pessanha, apesar de alguns cortes. Ela não adentra muitos conceitos filosóficos que o autor contempla na obra (fazendo referências a outros nomes da filosofia), mas privilegia "a questão da chegada da criança ao mundo e como isso é uma coisa tão acelerada". "Hoje não temos tempo nem para não fazer nada", comenta Soraya.
OITO MÃOS
A direção de "Instabilidade" é divida entre quatro encenadoras: Daniella Visco, Georgette Fadel (a amiga que sugeriu a leitura do livro), Julia Bernat e Stella Rabello. Foi um trabalho "instável", explica a atriz. Cada diretora participou de uma parte do processo, sem que uma trabalhasse junto com outra. "E a Georgette falava: 'No fundo, é você é quem vai ter que amarrar isso tudo'."
Montado sem patrocínio ou verba pública, o monólogo cria seu cenário a partir do local onde será encenado. "A cada lugar a que a gente vai, a gente faz com o que tem." No parque das Ruínas, no Rio, Soraya partiu de um telhado que tinha no espaço. Na temporada paulistana, no Sesc Ipiranga, ela usa como cenografia um armário.
Até o dia 1° de outubro, a peça será exibida no auditório do Sesc Ipiranga, as sextas às 21h30; aos sábados às 19h30; e aos domingos às 18h30. O Sesc Ipiranga fica na Rua Bom Pastor, 822. Os ingressos variam de R$ 6 a R$ 20 e a classificação é até 14 anos.