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Al Daei, Chitalu e Mohammed

Lance Livre por Claudio Gioria

Claudio Gioria | Editor-chefe do TODODIA e escreve aos sábados - 01/09/2017-23:15:51 Atualizado em 01/09/2017-23:47:27

Você conhece Al Daei?
Nunca ouviu falar?
E Chitalu?
Mohammed?
Pois eles estão entre o top-5 dos maiores artilheiros da história das seleções nacionais, seleto grupo que ganhou essa semana a companhia de Cristiano Ronaldo. O português marcou três vezes contra Ilhas Faroe e tirou Pelé da quinta posição.
Jogadores de centros menos importantes no futebol como África e Ásia, que por lá ficaram ou tiveram passagens apenas discretas pelo futebol europeu, são solenemente ignorados por nós. Mas, como disse, três deles estão entre os maiores goleadores de seleções da história.
Al Daei é iraniano, bigodudo, camisa 10. Defendeu a seleção de seu país entre 1993 e 2006. Teve uma passagem discreta pela Alemanha, onde jogou ao lado de três brasileiros: Elber, no Bayern, e Alex Alves e Marcelinho Paraíba, no Hertha. Uma coletânea de gols dele você vê em bit.ly/2vQc4I7. É o único jogador da história a passar dos 100 gols por uma seleção. Fez 109 em 149 jogos.
O segundo colocado é conhecido, o húngaro Puskas. Sobre ele, vale a pena ler "Puskas - uma lenda do futebol", livro inglês traduzido para o português pela DBA. Uma baita história desse ídolo da Hungria e do Real Madrid. Foram impressionantes 84 gols em 89 jogos, a melhor média do top-5 (0,94 gol por jogo).
Se eu já tinha lido sobre Al Daei, pouco tinha ouvido falar de Godfrey Chitalu, que defendeu a seleção de Zâmbia entre 1968 e 1980 e é o terceiro desta lista, com 79 gols em 111 jogos. Ouvi falar dele mais quando Messi chegou aos 86 gols em uma temporada, em 2012, e a imprensa noticiou como recorde mundial, mas jornais de Madrid apontaram que esse feito cabia a Chitalu, que segundo a Federação Zambiana de Futebol fez 107 gols em 1972-1973. A imprensa de Barcelona contestou alguns gols e reduziu a conta para 88. E ficou esse disse-me-disse.
Fato mesmo é que pela seleção de Zâmbia, Chitalu fez 79 gols em 111 jogos. Ele morreu em 1993, quando dirigia a seleção de se seu país e estava no avião que levava a delegação de Zâmbia que caiu no Oceano Atlântico, no Gabão, deixando 30 mortos.
O quarto desta lista é o iraquiano Hussein Saeed Mohammed, que precisou de sete jogos a menos que Cristiano Ronaldo para ostentar 78 gols por sua seleção, mesma marca que agora atingiu o português, este em 144 jogos. Assim como Chitalu, Mohammed só atuou no futebol do seu país.
Pelé, com seus 77 gols em 92 jogos oficiais, caiu para sexto. E depois dele aparecem três jogadores com 75, dos quais você deve conhecer apenas um, Sándor Kocsis, parceiro de Puskas na seleção húngara e que tem média superior a um gol, já que disputou apenas 68 partidas. Ele está ao lado do japonês Kunishige Kamamoto (76 jogos) e de Bashar Abdullah, do Kuwait (133 jogos).
A lista segue depois com jogadores da Arábia Saudita (Majed Abdullah), Malawi (Kinna Phiri), Tailândia (Kiatisuk Senamuang), Alemanha (ufa, esse a gente conhece, Miroslav Klose), Trinidad e Tobago (Stern John) e Tailândia (Piyapong Pue-on). Depois deles, ninguém chegou pelo menos aos 70 gols. Quem mais chega perto entre os que estão em atividade é o irlandês Robbie Keane, com 68.
Como o europeu em geral só se preocupa com o próprio umbigo e o sul-americano só se interessa pelo futebol de seu país e das principais ligas europeias, esses nomes aí que eu citei passam que meio batido para uma boa parte dos países mais tradicionais do futebol mundial. Então vale o registro.
3 pitacos...
QUEM DIRIA...
Depois de todos os tropeços do Rio Branco na Copa Paulista, era impossível imaginar que na antepenúltima rodada, se empatasse em casa contra um rival que está abaixo na classificação, conseguiria entrar no G-4. Mas hoje, contra o Audax, importante seria vencer e até tentar a classificação antecipada em outro duelo em casa, contra o sub-20 do São Paulo.
DEZ JOGOS, 100%
Tite pode igualar terça uma expressiva marca que só Dunga e Luxemburgo conseguiram à frente da Seleção. Dez vitórias seguidas em jogos de competição, o que Dunga atingiu em 2009 entre Copa das Confederações e Eliminatórias e Luxemburgo dez anos antes, entre Copa América e das Confederações. O Brasil já chegou a 12, mas com dois técnicos, Saldanha e Zagallo, entre Eliminatórias e Copa de 70.
ZAGALLO 14
Como perdeu da Argentina em amistoso, Tite não vai conseguir superar a marca de Zagallo, que em 1997 teve 14 vitórias seguidas, neste caso contando também amistosos. À época, ele superou a série de 13 vitórias de Aymoré Moreira entre 1960 e 1962.