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Público total: 9.193

Lance Livre por Claudio Gioria

Claudio Gioria | Editor-chefe do TODODIA e escreve aos sábados - 08/09/2017-22:35:22 Atualizado em 08/09/2017-23:51:26

Vira-e-mexe o assunto volta à tona. E voltou de novo com um dado que no fundo todos sabíamos, mas não tínhamos parado para fazer a conta. Matéria aqui no TODODIA de Luiz Peninha na quarta mostrou que o grupo 2 da Copa Paulista atraiu até agora 9.193 torcedores. Foram 36 jogos. Média: 255 torcedores.
Esse número poderia ser ligeiramente melhor - bem ligeiramente - se o grupo não tivesse o sub-20 do São Paulo e o Atibaia mandando seus jogos em Indaiatuba. Talvez a média subisse para 270, 280... Nada que mudasse muita coisa.
O Rio Branco tem média de 211 torcedores por jogo. A campanha é ruim. Talvez se fosse boa, esse número subiria um pouco, sei lá, uns 50, 70 torcedores a mais por jogo. E não ficaria muito distante da média história do clube nessas copas que a federação criou para preencher o calendário dos pequenos, 373.
Contra o Desportivo Brasil, um sábado frio em Americana, o retrato do abandono podia ser visto nas cabines de imprensa. Lá estavam apenas três profissionais trabalhando. Um repórter de cada um dos dois jornais diários de Americana e o Fuminho narrando a partida por uma rádio web (Rádio Esporte Web), sozinho, sem repórter de campo, comentarista, técnico... Só ele, no peito, tocando a transmissão dos 90 minutos e contando com uma ou outra intervenção de Luiz Peninha, que cobria o jogo pelo TODODIA.
O vazio das cabines amplia ainda mais o vazio das arquibancadas e é o retrato fiel do atual momento.
A competição já tem um atrativo, a vaga na Série D do Brasileiro, coisa que em São Paulo só os clubes que disputam a primeira divisão poderiam almejar. Tem também a vaga na Copa do Brasil, que tem muito menos interesse porque é para um torneio mata-mata e que não oferece a possibilidade de calendário cheio. Mas, de qualquer forma, é alguma coisa.
Mas a competição, importante hoje para os pequenos, "não pega". Não atrai torcida. E é tratada pela maioria dos clubes como forma de manter o time em atividade durante toda a temporada e servir de laboratório para o estadual seguinte. Compreensível diante de uma competição deficitária. E ninguém hoje em dia está rasgando dinheiro no interior.
Você coloca tudo isso dentro de um grande caldeirão e o resultado é mais do que óbvio: uma sentença de morte para os pequenos se algo não for feito.
Já escrevi isso mais do que uma vez. E vou escrever de novo. Ou se pensa o futebol do interior como um todo, ou se busca formas de tornar os jogos rentáveis, ou se tente atrair o torcedor mesmo que para um Desportivo Brasil x Rio Branco sob frio, ou o futebol do interior vai morrer.
Porque o mundo mudou e as opções de lazer são quase que infinitas. Ao mesmo tempo, o futebol do interior parou no tempo, viu sua qualidade despencar e convive agora com um desinteresse que precisa ser revertido. Para isso, só uma ação conjunta, com federação no meio, e não com atitudes isoladas que, embora válidas, são pontuais e não resolvem o problema como um todo.
Hoje já é difícil contar a alguém mais novo o nível de jogador que o Rio Branco - e outros do interior - buscava para um Paulistão. Porque eles até duvidam que o Rio Branco um dia teve porte para contratar por exemplo Rubens Minelli, técnico tricampeão brasileiro, ou Edu Manga, Darci, Bonamigo, Boiadeiro, Robert... jogadores de clubes grandes que ainda tinham mercado e acabaram aceitando uma proposta para defender um clube do interior de São Paulo.
Ironia do destino, o jogo de amanhã no Décio Vitta, que define se o Tigre vai disputar sua classificação até a última rodada ou não, é contra o São Paulo.
Não é primeira divisão, não é o time principal do São Paulo, mas impossível não lembrar que foi esse duelo que registrou o maior público pagante de um estádio que hoje vive às moscas - como todos os outros do interior. Em 1993, o Rio Branco venceu o São Paulo diante de 19.244 pagantes.
Se você somar o público de todos os jogos do Rio Branco no Décio Vitta nesta temporada e na passada (23 jogos), vai chegar a 16.844.
É mais do que óbvio que já passou do tempo dos clubes do interior se unirem e, em conjunto com a federação, promoverem uma verdadeira revolução em relação ao que é feito hoje.
Porque nessa toada, o fim se aproxima mais rápido.