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Ensino religioso nas escolas públicas

Opinião

Ailton Gonçalves Dias Filho | Reverendo da Igreja Presbiteriana de Americana. Escreve às quartas no TODODIA - 06/09/2017-00:01:23 Atualizado em 05/09/2017-23:58:26

Alguns anos atrás o governo brasileiro assinou acordo com o Estado do Vaticano sobre o ensino religioso nas escolas públicas brasileiras.
O Brasil é um estado laico. O Vaticano não o é. Esta semana o Supremo Tribunal Federal tratou da matéria em suas sessões. O assunto será definido neste mês de setembro. O ensino religioso nas escolas públicas é um angu de caroço. O Supremo não sabe como desatar este nó. Por isso, o adiamento da matéria.
O ensino religioso é a única disciplina que não se submete a orientação do MEC (Ministério da Educação). Os conteúdos da disciplina, bem como as normas para contratação dos docentes, ficam na responsabilidade dos governos de cada Estado. Estes governos nem sempre observam as regras estabelecidas na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). As igrejas de tradição reformada estão em estado de alerta. Algumas, com base em parecer de grandes juristas, alegam inconstitucionalidade do acordo assinado entre Brasil e Vaticano. A polêmica está no ar. Se aprovado, qual seria o conteúdo programático da matéria? Quem ministraria as aulas?
A grande diversidade religiosa da sociedade estaria representada na Escola. A dificuldade em harmonizar isto é enorme.
Em minha opinião o ensino religioso deveria ser banido das escolas públicas. A Escola não é lugar para se ensinar sobre religião.
O locus classicus para o ensino religioso ainda é o lar, juntamente com as igrejas. Estamos indo para as escolas porque falhamos nesses dois lugares: o lar e a igreja.
Ademais, se aprovado e colocado em prática, o ensino religioso nas escolas públicas poderá ser uma vacina contra a própria religião.
É preciso ter maestria para falar de religião.
O Supremo Tribunal Federal poderia muito bem dar um basta no assunto e proibir qualquer intenção neste sentido. E que as Igrejas, os lares, cumpram a sua função. É isto!