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O Brasil não tem povo

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Alberto Alves Marques | Professor Hortolândia - 08/09/2017-23:10:33 Atualizado em 08/09/2017-23:41:56

À luz da reflexão, o título deste artigo foi proferido pelo escritor pré-modernista Lima Barreto, que discorria sobre a situação da população brasileira no final do século 19, ou seja, um conformismo, alienação e comodismo. Essa frase foi retirada do livro "Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi", do escritor José Murilo de Carvalho, que explana sobre a transição do Império para a República, em 15 de novembro de 1889 e sem a participação da massa (povo) nesse processo de transição.
De acordo com Carvalho e o olhar clínico de Lima Barreto, a população brasileira bestializada assistiu a tudo de camarote, sem saber o que estava acontecendo, pois a República foi proclamada por uma elite cafeeira, que estava descontente com o Imperador D. Pedro II. Ao refletir sobre o assunto, encontrei a oportunidade para traçar uma analogia com o atual contexto brasileiro.
Se o País tivesse um povo esclarecido e consciente, estaríamos presenciando Operação Lava Jato e outras politicagens? Em uma nação mais politizada, o povo não sairia da arquibancada e questionaria a qualidade do ensino público em nosso País, o preço dos alimentos, dos combustíveis e a qualidade da saúde pública.
Toda essa carência de indagações e direitos é fruto e reflexo das nossas escolhas, isto é, podemos ficar na arquibancada e prestigiar o espetáculo, ou fazer parte dele, cobrando, lutando, questionando.