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Chamem o Mané Pedro

Opinião

Pedro Benedito Maciel Neto | Advogado - 09/09/2017-20:23:00 Atualizado em 09/09/2017-20:19:36
Pedro Benedito Maciel Neto

"Se queres ser universal pinta a sua aldeia". (Leon Tolstói)
Meu pai é um contador de histórias.
Ele conta histórias simples sobre pessoas igualmente simples, histórias ambientadas no espaço mágico e lúdico da sua infância e adolescência. Ao contar suas histórias revive (ou cria) as experiências que povoam sua memória (ou sua imaginação); dá vida a aventuras e desventuras e o faz de forma original, as apresenta com tal magnetismo que temos a sensação de tê-las vivido ao lado dele.
Não sei se todas as histórias que ele nos conta são verdadeiras, mas, mesmo não sendo, o possível caráter ficcional não retira delas a originalidade ou o conteúdo pedagógico que elas apresentam.
Há uma história sobre um "benzedor" chamado Mané Pedro que viveu na Vila Nova, em Campinas (a Vila Nova é um bairro situado na Região Norte da cidade; seus limites são: ao norte, a Fazenda Santa Elisa; ao sul, o bairro Guanabara; a leste, o Taquaral; e, a oeste, o Jardim Chapadão).
Eu estava esperando uma oportunidade para escrever sobre essa história e acho que chegou o momento diante do caos institucional e ético que vivemos, tudo regado a uma repugnante hipocrisia.
Nesse contexto apenas um benzedor poderoso e dono de um método infalível como o Mané Pedro poderia resolver os tantos problemas, pois ele atendia as demandas que se apresentavam de forma, no mínimo, original...
Quando Mané Pedro era chamado para benzer e libertar de delírios os jovens inquietos, os homens dados à indiscrição e desonestidade e as mulheres alcoviteiras, usava um método muito particular (e eficiente).
Como era esse método?
Bem, ele, um homem simples, de fala mansa, recebia os "doentes" e "delirantes" nos fundos de sua casa modesta, ali pertinho da Igreja Nossa Senhora de Fátima e logo depois de rezar um pai-nosso e duas ave-marias surrava (ou benzia?) os delirantes com maços generosos de Espada-de-São Jorge ou Espada-de-Ogum e, nos casos mais graves, usava o "rabo-de-tatu".
Todos saiam libertos do mal que os acometia e não havia recaídas.
Os malfeitores da república mereceriam os serviços de libertação de Mané Pedro.
Benzer os malfeitores das administrações, municipal, estadual e federal, além dos empresários corruptores, como fazia Mané Pedro com os delirantes de antanho, talvez fosse útil e curasse aqueles que hoje são dados à pratica da corrupção, do nepotismo, da improbidade administrativa, da entrega do País e suas riquezas a interesses internacionais, dentre outros males contemporâneos.
Chamem o Mané Pedro ou eleições gerais, para afastar das nossas vidas todos os canalhas travestidos de políticos, empresários, juízes e promotores. Ministros, procuradores que buscam nada além de manter privilégios ou atender interesses de quem os financia.