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Calem as máquinas

Opinião

Odair Dias | Secretário de Meio Ambiente de Americana - 12/09/2017-00:04:45 Atualizado em 12/09/2017-00:02:38
Arquivo | TODODIA Imagem

Passa o tempo, passam as horas, chega a tecnologia, e com ela as inovações. A chamada evolução nos conduz a formas mais rápidas de realizar tarefas, com menos esforço e maior produtividade. À medida em que a velocidade aumenta, aumentam as nossas próprias cobranças.
Hoje, nos comunicamos com bilhões de pessoas num piscar de olhos, ou de teclas. Mandamos milhares de abraços e beijos, mas quantos verdadeiramente damos?
A tecnologia nos permite ver um parente do outro lado do planeta "just in time", nos apresenta respostas pra quase tudo, e ainda permite palpites às coisas do coração. Mas ela não mata a saudade; minimiza, mascara, reduz a angústia, informa e ... deforma.
Deforma o bom e velho hábito de olhar nos olhos, sem tela. Deforma a maneira arcaica e simples de "abraçar com os braços" e com o coração, sem emoticon, mas com emoção. E ainda não fora enunciada a deformação do odor natural, que sequer tem alguma relação com o cheiro de equipamentos eletrônicos.
Até onde iremos? A descaracterização é o limite? Os caracteres por diversas vezes não refletem o caráter ou o verdadeiro sentimento do indivíduo. Teclas dizem bem menos que olhares. Máquinas devem "facilitar" a vida do homem, e não "dominar". Podemos e devemos evoluir, mas como disse um sábio, "a diferença entre o remédio e o veneno está na dose".
Sim, é a dúvida que move a nossa certeza, mas o homem não é capaz de criar algo que supere o jeito humano de ser. Porém, pode provocar a extinção ou ausência das verdadeiras relações humanas.
Calem as máquinas. Elas estão à nossa disposição e não têm o direito de conduzir a nossa forma de pensar e agir.
Finalizo sem deixar um abraço. Afinal, ele seria virtual.
Se alguém desejar, entregarei pessoalmente.
Até a próxima.