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O rádio no celular

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Dirceu Cardoso Gonçalves | Tenente da PM e dirigente da Aspomil - 04/09/2017-23:25:02 Atualizado em 04/09/2017-23:21:48

Apesar do surgimento de novas alternativas de lazer e comunicação, o rádio continua como o meio de difusão de massa mais rápido e abrangente, a verdadeira reserva estratégica nacional. A política de distribuição dos canais adotada no Brasil fará desaparecer o tradicional rádio de AM, mas fortalecerá o de FM. A maioria dos aparelhos hoje disponíveis no mercado não traz mais a faixa de AM; em compensação, o FM hoje está presente em 97% dos telefones celulares produzidos no mundo.
No Brasil, no entanto, mesmo com o recurso dentro do aparelho, apenas 34% deles saem de fábrica habilitados para sintonizar o rádio diretamente e sem custo de pacote de Internet. As entidades representativas do rádio se movimentam para exigir que todos os aparelhos tragam a sintonia aberta e há, em tramitação na Câmara, projeto de autoria do deputado Sandro Alex (PSD-PR) que pretende tornar a medida obrigatória. A ideia é, além da razão puramente econômica - pois habilitar o chip de rádio não tem custo adicional -, disponibilizar o rádio gratuitamente a todos os usuários de celulares, levando em consideração que a radiodifusão é um serviço de utilidade pública, tanto para o lazer quanto para apoio à comunidade nos momentos de dificuldade ou sinistros.
Com a sintonia aberta, o dono do aparelho não precisa ter crédito e nem mesmo conta telefônica ativa para poder ouvir as emissoras de rádio de sua região. No México já está em vigor lei semelhante à que se pretende implantar aqui e nos Estados Unidos há movimento no mesmo sentido.
A maioria dos telefones que hoje trazem o rádio habilitado é da faixa de menor preço e sem Internet. O movimento pretende que todos saiam de fábrica com o recurso ativo pois o recurso via Internet, além de ter custo, depende da disponibilidade e intensidade do sinal, o que não ocorre com as transmissões "no ar". Segundo dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunições), temos hoje no Brasil 242,1 milhões de aparelhos celulares, o que equivale a 1,16 aparelho por habitante. Com o rádio habilitado, eles prestarão o serviço que durante anos foi executado pelos rádios portáteis, de pilha. E com a vantagem de o usuário não ter o desconforto de portar algo mais, pois o celular já está no seu bolso...